quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A maldição da permuta

Em um país paradoxalmente carente de recursos como o nosso, permuta virou a palavra da moda. Na falta de capital de giro e circulante dos pequenos empreendimentos, permuta-se de tudo. No segmento turístico de Minas ainda existe um fator adicional: a notória desconfiança do mineiro. A permuta parece a salvação, afinal não se "perde" nada, apenas deixa-se de abrir mão de algum produto ou serviço que serviria como moeda.

Permuta é uma palavra bonita e até solidária. Envolve entendimento da situação do outro e a vontade de crescer juntos. A boa intenção termina aí. Por detrás esconde uma maldição (modo de falar), que geralmente leva a pouco ou nenhum resultado. E o motivo é simples. No dia-a-dia pagamentos nossas despesas com dinheiro, em moeda. O grau de desenvolvimento econômico de uma comunidade ou de uma sociedade se mede, também, pela livre circulação de capital, que não deve se concentrar. Assim todos crescem.

Na permuta não vemos o capital circular e, quase sempre, uma parte sai prejudicada, pois acaba oferecendo mais em produtos ou serviços que a outra parte. Resultado: a parte em desvantagem começa a fazer corpo-mole e a "parceria" entra em falência ou cai no ostracismo. Voltamos à mesma precariedade do começo, de parcos recursos e agora menos entusiasmo no associativismo.

Nós, empresários do turismo mineiro, devemos recusar esse retrocesso, essa volta ao escambo. Permuta somente em casos limítrofes, secundários e eventuais que não envolvam a atividade prioritária de nossas empresas. Nada mal em permutar um almoço ocasional, mas nunca o pacote inteiro. E não abusar das permutas de almoço, pois isto pode causar uma séria indigestão.

Melhor pagar R$5,00 e receber R$5,00, vendo o resultado concreto de nosso trabalho, do que ficar no terreno intangível das permutas, um espaço etéreo de coisas impalpáveis.

Veremos que assim num dia daremos R$5,00 e receberemos R$3,00. No outro dia receberemos R$10,00 e pagaremos R$2,00. Pagamento é mérito concreto, permuta é sempre o "talvez".

Grande abraço,

Marcelo
Idas Brasil Ltda. (http://www.idasbrasil.com.br/)

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